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Obra examina conexão entre França, Portugal e América na circulação de livros, a partir da chegada da família real portuguesa ao Rio de Janeiro

18 mar 2026 | Blog, Livros sobre livros

O Brasil, ainda colônia, passou por uma transformação com a chegada de D. João VI e sua corte, vindos da Europa diante da ameaça napoleônica, no ano de 1808. Seu território se abriu de múltiplas formas, inclusive com a criação de uma imprensa oficial e a liberação da circulação de livros de forma não clandestina.

Esse mercado e esses personagens são examinados com rigor histórico no livro Livreiros do novo mundo: De Briançon ao Rio de Janeiro (coedição entre as editoras da USP, da Unesp e da Unicamp, 248 págs.; R$ 99 – Trad.: Leila V. B. Gouvêa), de Jean-Jacques Bompard.

O autor se debruça sobre a vida de um de seus antepassados, Jean-Baptiste Bompard, por meio de um rigoroso processo de pesquisa nos arquivos de sua família e de instituições na Europa e no Brasil. “Natural de Briançon, no departamento dos Altos Alpes, no sudeste da França, Jean-Baptiste Bompard nasceu em 1797 e, 20 anos depois, trocou as montanhas natais por Lisboa, onde atuava um tio. Em 1818, seguiu para o Rio de Janeiro, a fim de colaborar com o primo Paulo Martin. Quando este falece, em 1824, torna-se o mais importante livreiro da cidade, depois de ter se estabelecido na rua dos Pescadores (atual rua Visconde de Inhaúma), número 49”, anota Lucia Maria Bastos Pereira das Neves no prefácio.

Mais do que uma biografia do livreiro Bompard, a obra examina também as práticas políticas e culturais do mundo luso-brasileiro do fim do século XVIII até o início do XIX, época de grande agitação, marcada pelas invasões napoleônicas em Portugal, pela transferência da família real portuguesa para o Brasil, pelo crescimento do mercado editorial, pela liberdade de imprensa e, por fim, pela independência do Brasil em 1822.

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