Um estudo encabeçado pelos pesquisadores Neel Gupta e Maria Antoniak, da Universidade de Washington, em Seattle, analisou mais de meio milhão de conversas anônimas em inglês com o ChatGPT e revelou que mais de um terço das interações envolve a criação de ficção, incluindo histórias originais, fanfics, jogos de interpretação e outros formatos narrativos.
Segundo os pesquisadores, o fenômeno indica uma mudança na relação entre autor e leitor. O estudo mostra que cada vez mais usuários recorrem à inteligência artificial para produzir e consumir histórias personalizadas.
O levantamento identificou dois perfis predominantes: os que pedem inúmeras variações de uma mesma narrativa ao longo do tempo e os que alternam entre diferentes histórias, mas mantêm personagens e temas recorrentes.
As fanfics representam 49% das conversas sobre ficção analisadas, enquanto 27% das conversas incluem conteúdo explícito. O estudo aponta que a IA permite atender a pedidos altamente específicos e gerar histórias sob demanda, sem depender do ritmo de publicação de autores humanos.
Os pesquisadores também discutem os impactos dessa prática para o futuro da literatura, levantando questões sobre autoria, criatividade e sociabilidade. Entre os desafios apontados estão as limitações dos modelos para produzir textos longos e os debates sobre direitos autorais relacionados ao treinamento das ferramentas de IA.
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