Um leitor também é formado pelos livros que não leu. É a partir dessa ideia que o ensaísta Felipe Charbel escreveu Lacunas: sobre amar os livros que não lemos (Relicário, 127 págs.; R$ 65,90). Os textos refletem sobre os livros que permanecem como espaços vazios, mas também como desejos e possibilidades futuras.
Para Charbel, a biblioteca dos livros não lidos é infinita e portátil. Já as leituras realizadas permanecem sujeitas à memória e ao tempo. As lacunas, nesse sentido, podem refletir tanto as escolhas e os caprichos de um leitor quanto uma espécie de utopia: a expectativa de, algum dia, ler aquilo que se deseja.
O livro trata das relações entre literatura e vida e de como as leituras podem dar forma à experiência. A reflexão inclui tanto os livros que foram lidos e permaneceram na memória quanto aqueles que jamais serão lidos e, por isso mesmo, não correm o risco de desaparecer.



