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Em Sharjah, o mercado editorial amplia suas conexões para além dos circuitos tradicionais

4 nov 2026 | Blog, Feiras de Livros e Eventos

  • Por Talita Facchini

A Conferência de Editores de Sharjah iniciou no último domingo (1º) a sua 16ª edição reunindo 1433 editoras de 126 países. Para quem não está familiarizado, o evento antecede a Feira Internacional do Livro de Sharjah (4 a 13/11), já considerada a terceira maior feira de livros do mundo e que tem ganhado cada vez mais relevância para os editores brasileiros.

Há décadas o emirado de Sharjah – conhecido como a Capital Cultural do Mundo Árabe – investe na cultura e nos livros a fim de expandir sua literatura e suas relações com diversos países.

Sob a liderança do Xeique Sultan bin Mohammed Al Qasimi, desde 1972, o emirado estruturou um projeto cultural de grande escala. Como parte desse investimento estão a Feira do Livro, que esse ano celebra sua 45ª edição; a biblioteca futurista House of Wisdom, e a Sharjah Publishing City, zona franca do livro com mais de 19 mil m² focada na indústria global de impressão e publicação.

Uma feira sem fronteiras

A Conferência de Editores tem se destacado internacionalmente quando o assunto é intercâmbio cultural e editorial. Editores africanos, árabes, egípcios, iranianos, indianos, latino-americanos e de outras regiões fora dos holofotes tradicionais marcam presença no evento – não só entre os participantes nas rodadas de negócios, mas também na programação, na qual apresentam panoramas completos de seus mercados editoriais.

Em seu discurso de abertura, a Sheikha Bodour bint Sultan Al Qasimi, presidente da Sharjah Book Authority (SBA), organizadora do evento e da feira, enfatizou a crença do emirado na resiliência do setor e no constante desafio dos editores de se adaptar às rápidas mudanças. “Sempre que este setor foi desafiado, os editores não apenas sobreviveram; eles se adaptaram, reinventaram seu ofício e construíram novas pontes com seus leitores”.

Bodour ainda falou sobre o paradoxo enfrentado pelos editores atualmente: “Somos os editores que precisam acelerar… e, ao mesmo tempo, desacelerar. Acelerar, para compreender novas ferramentas, dominar novos formatos e encontrar os leitores onde quer que eles estejam. E desacelerar para preservar os fundamentos essenciais que conferem alma ao ato de publicar”.

Com três dias de evento, a conferência anual de editores tem uma programação diferente: após os discursos de abertura e um painel especial – que este ano recebeu Sanyu Dillon, presidente da Random House Group (PrH, USA) em conversa com Nadia Wassef, da Diwan Bookstore -, o resto do dia gira em torno do intercâmbio entre os participantes.

Em uma grande tenda construída para o evento, 30 mesas redondas – comandadas por profissionais de diferentes áreas – são distribuídas em quatro rodadas. Os debates abordaram aplicações da inteligência artificial na descoberta de livros, edição, marketing e licenciamento de conteúdo, além da produção e distribuição de audiolivros e o desenvolvimento de pequenas e médias editoras.

Nesta edição, as discussões exploraram direitos de tradução, adaptação de obras literárias para o formato audiovisual, desenvolvimento de propriedade intelectual com potencial comercial e estratégias de marketing que auxiliam editoras e autores a alcançar leitores por meio de plataformas digitais.

As mesas redondas também analisaram oportunidades de expansão para mercados como Japão, China, América Latina e Espanha.

O Brasil, aliás, que todos os anos marca presença no evento, nesta edição contou com menos representantes: somente com as editoras Tabla e Fósforo e a Soul Agência Literária. Nos bastidores, o motivo para a queda na participação tem a ver com a guerra no Irã – parte da costa continental do país fica a menos de 200 km de Sharjah.

Por outro lado, André Calgaro, fundador da Narratix, foi o primeiro brasileiro a comandar uma das mesas redondas da programação. (Leia mais aqui)

Brasil premiado

Durante a cerimônia de abertura, a KlooBR, ferramenta do Clube de Autores, venceu a categoria Disrupt Track (Trilha de Inovação Disruptiva) do Sharjah Publishing Sustainability Fund (Onshur). A premiação recebeu 94 inscrições provenientes de 17 países.

Com atuação em Portugal e no Brasil, a KlooBR oferece soluções baseadas em inteligência artificial para o setor editorial e registrou milhares de transações pagas em seu primeiro ano de operação. Como parte do prêmio, a SBA realizará um investimento estratégico para apoiar o estabelecimento e o crescimento da empresa em Sharjah. O prêmio foi recebido por Ana Lia e Ricardo Almeida, CFO e CEO do Clube de Autores, respectivamente.

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