No livro A teoria da bolsa de ficção (Cobogó, 64 págs.; R$ 58 – Trad.: Isabel Diegues), a escritora norte-americana Ursula K. Le Guin propõe destronar a figura do herói e contar uma “outra história, a história não contada, a história da vida”.
Conhecida por seus escritos de ficção especulativa, Le Guin sugere um novo modo de narrar ficção, trazendo menos os relatos de caçadores de mamutes e mais histórias das bolsas usadas pelos primeiros seres humanos para coletar, armazenar e partilhar alimentos.
“Já ouvimos essa história, todos nós já ouvimos tudo sobre tacapes e lanças e espadas, as coisas de golpear, cutucar, bater, as coisas longas e duras, mas não ouvimos nada ainda sobre as coisas de colocar coisas dentro, os contêineres para as coisas contidas. Trata-se de uma nova história. Eis uma novidade”, sugere a autora. “Eu diria que a forma natural, apropriada, adequada do romance talvez seja a de um saco, uma bolsa. Um livro guarda palavras. Palavras guardam coisas. Elas carregam significados. O romance é uma bandoleira ritual, que carrega elementos que possuem uma relação particular e poderosa entre eles mesmos, assim como conosco”, completa.
O volume traz ainda um texto da filósofa americana Donna Haraway e outro da escritora brasileira Carola Saavedra, além de ilustrações de Cecilia Stockler Carvalhosa.


