O livro Quando borboletas furiosas se tornam mulheres negras: nós e os livros (Relicário, 144 págs.; R$ 59,90) reúne 16 ensaios nos quais Cidinha da Silva investiga as tensões, armadilhas e insurgências que atravessam a experiência de escritoras negras no mercado editorial.
O livro se constrói a partir de três fios que tecem essa trama: o casulo, a lagarta e a borboleta, que correspondem, por sua vez, ao cerceamento da liberdade criativa, à exigência constante de justificativa e explicação do que se escreve, em vez da discussão sobre como se escreve, e à ira organizada que se transforma em enfrentamento político e estético.
Entre convites indignos, políticas de representatividade limitadoras e expectativas que confinam escritoras negras ao papel de eternas educadoras da branquitude, a obra desnuda os mecanismos sutis e explícitos de controle e silenciamento. Ao mesmo tempo, reivindica o direito à experimentação formal, à crítica, ao encantamento e à construção de novos imaginários.
Quando borboletas furiosas se tornam mulheres negras é um livro que confronta o mercado editorial e a sociedade literária brasileira, recusando o lugar estreito que historicamente destinam às mulheres negras. Porque o futuro, afirma a autora, não é a promessa abstrata da inclusão, mas as asas abertas das mulheres negras que ousam escrever, criar e insurgir.


