No livro O avesso da tapeçaria: notas sobre a arte da tradução (Edições Sesc, 124 págs.; R$ 65), o bibliófilo e tradutor argentino Alberto Manguel entrelaça filosofia, história, religião e literatura para explorar a complexa natureza do ato de traduzir.
Definida pelo autor como um ato político e como a forma mais intensa de leitura, a tradução nasce, assim como a arte, da consciência do fracasso inevitável da linguagem em alcançar a perfeição, já que cada palavra encerraria em si uma antologia de sentidos.
Ao longo de 44 notas conceituais, Manguel apresenta a tradução como uma busca incessante pela inteligibilidade e convida o leitor a contemplar o avesso das línguas: o ponto em que o texto original e sua recriação se refletem como num espelho fragmentado.
O resultado é um livro sobre a beleza do erro, a hospitalidade das palavras e a eternidade das vozes que habitam cada tradução.


