A partir de perguntas como Por que escrevemos? De onde vêm as ideias para uma história? Como funcionam as engrenagens da inspiração e da literatura?, a cantora, compositora e escritora Patti Smith faz, no livro Devoção (Companhia das Letras, 113; R$ 94,90; R$ 44,90 o e-book – Trad.: Caetano W. Galindo), reflexões sobre o seu processo criativo e sobre os mecanismos de escrita.
Dividido em três partes, Devoção começa com uma viagem da autora a Paris, onde percorre as “ruas abstratas de Patrick Modiano” e lê uma biografia de Simone Weil. A partir disso, ela começa a esboçar um conto, que vai se materializar no segundo capítulo do livro — a história de uma jovem patinadora, sua jornada em busca de si mesma e de suas origens.
Ao fim, Patti volta à cena e narra uma visita à casa de Albert Camus, na cidade de Lourmarin, onde depara com o manuscrito de O primeiro homem, romance inacabado do escritor argelino. “Por que alguém se sente compelido a escrever?”, é a pergunta que nos acompanha até o fim. “Para dar voz ao futuro, revisitar a infância. Para dar rédea curta às loucuras e aos horrores da imaginação”, Patti diz. E porque, afinal, “não podemos apenas viver”.



